Ilusão

Ilusão

Dia 26 de Janeiro de 2009, 18h59m – Rua André Marques Ribeiro


Eduardo mira com seu fuzil e dispara acertando o ultimo zumbi que restara de pé.

-Já vi um lugar perfeito – diz Fernanda apontando para uma loja Esportiva.

Eduardo olha para onde Fernanda aponta e todos começam a correr em direção à loja, Joe chega primeiro e atira no cadeado enquanto Eduardo cobre a guarde de todos com seu fuzil.
Joe levanta a porta e entra apontando a arma, Eduardo também aponta a arma para o interior da loja que parece estar calmo. Joe faz um sinal com a mão para que os outros entrem. Eduardo da um passo e ouve Fernanda chamando seu nome, ele a olha.

- O que? – pergunta Eduardo.


-Cadê sua filha? – pergunta Fernanda assustada

Rapidamente Eduardo olha em volta, depois para trás e não encontra sua filha. Seu coração dispara e Eduardo sente o medo consumindo seu interior. Ele se afasta alguns passos do grupo.

-Michele! Cadê você filha! – grita Eduardo olhando rapidamente em todas as direções.


-Michele! – grita Fernanda o ajudando a procurar a filha.

-Michele! Michele! – grita Eduardo com uma voz alta e grossa.

Eduardo não sabe o que fazer.
-Droga, eu preciso ir atrás dela, vocês fiquem aqui que eu vou atrás dela – diz ele tomando uma atitude e começando a correr.
Eduardo corre olhando em volta, nem ouve Fernanda o chamando, chega a uma esquina olha em todas as direções e nada. Pensa um pouco e resolve refazer o caminho percorrido por ele e os outros.
Eduardo tenta se acalmar, para um instante, respira fundo, pensa positivamente e recomeça a busca. Começa a andar com calma olhando para os lados procurando a filha quando vê um vulto a sua direita, mira a arma no mesmo instante e atira duas vezes.
Não acertara nada, somente o muro de uma casa. Eduardo tenta não pensar no pior, mas algo parece não deixar e um pensamento de que sua filha há essa hora deve estar morta possui sua mente e o faz entrar em pânico novamente, lagrimas escorrem de seus olhos perdidos na atmosfera destrutiva. Eduardo começa a andar mais rápido. Não pode suportar a dor de perder outro amor de sua vida, seu coração aperta e Eduardo sente a dor de que perdeu sua filha, por um instante para de olhar para os lados a procurando e começa a se culpar.

Começa a dizer para si mesmo, como pude deixar isso acontecer, que pai sou eu que se esquece da filha numa hora dessas.

Eduardo ouve alguns passos e olha em volta, nada, somente ruas vazias, lixo pelo chão, carros abandonados como se não valessem nada, sangue e a desesperança que povoa as ruas no lugar de pessoas.
Eduardo chega a uma praça que passaram antes e vê um boneco do Papai Noel de uns três metros no meio da praça e não se lembra de te-lo visto, segue até ele com pressa, chega ao boneco e olha em todas as direções tentando lembrar que caminho viera, quando vê um caminhão estacionado a sua direita e lembra ter passado por ele.

Corre rapidamente na direção do caminhão, olha em volta dele e só encontra um corpo jogado no chão em decomposição há muito tempo, sente o meu cheiro e tapa o nariz com uma das mãos. Vira-se em busca da filha e vê alguém parado no meio da rua.

Eduardo mira seu fuzil e começa a se aproximar devagar, sente medo não sabe do que e grita.

-Ei! Você ai!

Não obtém resposta e atira. As balas se perdem no ar, Eduardo ouve alguém o chamando, vira o rosto seguindo a voz e não encontra ninguém. No mesmo instante alguns zumbis aparecem virando e rua e seus olhares frios se encontram com o olhar de Eduardo que começa a andar de costas, lembra da filha e pensa nela sendo devorada por zumbis.


Uma fúria incandescente atingi seu coração.

Eduardo aperta a arma com as mãos, levanta a arma a apontando para os zumbis que começam a correr em sua direção, posiciona a arma na altura certa, fecha um dos olhos, e posiciona o outro na mira da arma.
Atira derrubando o primeiro, aperta o gatilho novamente e acerta outro na cabeça.

-Morre! – grita ele enfurecido.

Quando puxa o gatilho novamente ouve um barulho que não esperava, a arma esta sem balas tira o pente e procura por outro no bolso, mas não encontra. Pega sua pistola presa ao coldre na perna, deixa o fuzil de lado e mira a pistola.

Assusta-se ao os ver tão perto, dispara uma vez e começa a correr. Sente frio na corrida, se desespera, procura uma fuga vira uma esquina a direita e se esconde atrás de um muro.
Se agacha e esfrega os braços com frio. Ouve os zumbis passando, os gritos o dão menos esperança de encontrar sua filha, ouve os gritos atentamente até que começam a ficarem mais baixos. Foram Embora, pensa ele Sente-se seguro a sair. Sai cuidadosamente, olha em volta, os vê correndo ao longe.

-Se livrar deles é bem mais fácil quando se esta sozinho – sussurra Eduardo dando um pequeno sorriso.

No mesmo instante a culpa o atingi novamente como uma bala no coração, olha para os lados procurando a filha e retoma o caminha percorrido antes, vasculha canto por canto da rua, encontra um deles andando perdido perto de uma padaria e o acerta com um tiro preciso na cabeça.

Ainda desesperado Eduardo procura Michele antes que anoiteça, lembra-se de ter passado por ali com sua filha ainda, na verdade não se lembra quando parou de prestar atenção nela. Isso o faz desmoronar, um pai de verdade não faz isso, pensa ele.

Resolve voltar e procurar mais por onde já procurou. Encontra mais dois zumbis e os derruba facilmente, começa a correr com medo que escureça.

Vira uma esquina e seus olhos se enchem de lagrimas e dessa vez de alegria, vê sua filha parada perto da praça que tem o Papai Noel.

Mira a arma em volta com medo de que algum zumbi a veja e a ataque, mas não há nenhum.

Abre um sorriso enorme e a chama.


Ela se vira rapidamente e começa a correr na direção do pai. Eduardo vê sua filha sorrindo e correndo em sua direção, pensa em como não se sentira feliz dessa forma há muito tempo, se agacha para abraçá-la, ela chega perto ainda correndo, Eduardo a abraça.

Mas senti uma forte dor pescoço, afasta a filha rapidamente e leva a mão ao pescoço. Esta sangrando e muito, olha assustado para filha e caindo sobre o chão, já com a vista fraca percebe que sua filha não é a mesma. Seus olhos totalmente negros revelam algo ruim, não é mais aquele olhar meigo que viu antes e adorava ver quando brincava com ela. O sorriso até estonteante de lindo que se formava em seu rosto se transformara em uma boca cheia de sangue, faltando um pedaço, talvez mordido. Eduardo não acredita e ja com dificuldade de respirar vê mordidas no braço da filha ensanguentada.

Lagrimas escorrem pela sua face, se sente fraco, a filha o ataca novamente. Dessa vez começara a mordê-lo na perna, Eduardo se engasga com o próprio sangue que jorra pela boca. O braço já sem força fica mole fazendo com que pare de tapar o ferimento no pescoço e com os olhos quase fechados, num ultimo esforço tenta dizer algo, mas se despede do mundo sem dizer Adeus. Seus olhos que continuam abertos ainda parecem olhar para aquela que já não era sua filha o devorar enquanto a carne está fresca.


Pânico

Dia 26 de Janeiro de 2009, 18h05m – Quintal ao lado da casa de Eduardo.



Rafael espera que Felipe abra o portão olhando fixamente para ele. Parece até estar hipnotizado.

Mantêm o olhar fixo, imóvel até que seus tímpanos captam um ruído que o faz pular de susto. Ele identifica o som como o grito de Fernanda e olha para trás. Ainda assustado Rafael ve quando Joe e Eduardo acertam dois tiros precisos na cabeça de um dos monstros como Rafael os chama.

Rafael não pensa duas vezes e começa a esmurrar o portão como se tivesse raiva do mesmo.

-Abre caralho! – grita ele pondo-se a olhar novamente pra trás verificando se há mais monstros. Os outros também se aproximam do portão quando Joe e Rafael disparam mais tiros a um lugar fora da visão de Rafael.

-Vai cara. Rápido!

Mais dois tiros ecoam pelo lugar, Michelle começa chorar aos berros.

Um tiro vem do outro lado do portão que se abre. Rafael o golpeia com o pé deixando assim o caminho livre, ele corre rapidamente para fora. Olha rua abaixo e vê carros por toda parte, olha rua acima e encontra o caminho livre. Novamente sem pensar Rafael sai em disparada pelo caminho livre, Felipe tenta impedi-lo, mas nem sequer é ouvido.

Suas pernas se atrapalham e Rafael quase da de dentes no chão, ele chega à esquina desacelerando e vira o rosto para direita, vendo seus inimigos o olharem como uma pessoa faminta olha um prato de comida.

Rafael grita e fecha as mãos em punhos demonstrando raiva e pânico, vira para esquerda e recomeça a correr sendo perseguido por oito deles, o medo e a pressa são tantos que nem se lembra de que guarda uma arma no punho. Rafael corre desesperadamente sentindo a pressão e o medo aumentarem a cada passo largo de suas pernas enormes e a cada grito dos monstros.

Olha para trás e outro tropeço o derruba no chão, tamanha era a velocidade em que ele corria que o tombo faz com que ele bata com a cabeça no chão depois de capotar alguns metros.

Levanta-se rapidamente e sente a perna doer, leva a mão a perna e lembra-se da arma em sua mão, da outro grito, dessa vez somente de raiva e aponta a arma para os monstros. Ele treme freneticamente enquanto empunha a arma a apertando com toda sua força e pressiona os dentes causando um rangido, aperta o gatilho duas vezes. Nem se preocupa em saber se acertou ou não e volta a correr, agora com certa dificuldade, mas mantendo a velocidade.

Rafael continua a correr sem coordenação nenhuma e quase cai novamente, não vê nada mais do que o caminho a sua frente, corre por alguns metros até que três deles aparecem a sua frente.

Rafael aponta a arma e em outro grito desenfreado da à ordem a si mesmo que atira, e assim o faz. Descarrega a arma derrubando somente dois dos três a sua frente.

Sem nem perceber que parara de correr para atirar ele se vê sem saída, aqueles que o perseguiam já o alcançaram.

O primeiro o agarra pelo ombro com sua mão fétida e banhada de sangue e no mesmo milésimo de segundo Rafael o golpeia com a arma, os outros estão um pouco mais atrás e Rafael sente seu coração bater contra seu peito como se quisesse sair.

Tenta atirar e vendo estar sem balas atira a arma contra um deles e quando voltara a correr o zumbi que sobrara dos que apareceram a sua frente pula sobre ele.

-Sai desgraçado! – cospe as palavras Rafael enquanto se esquiva num golpe de sorte da mordida e joga o monstro contra o chão.

Rafael segue se afastando de costas ainda sentado no chão depois de cair ao se esquivar do zumbi quando bate com a cabeça contra um muro a suas costas. Ele leva uma das mãos à cabeça e olha para trás.

Os zumbis estão ao seu alcance, Rafael se levanta escorando-se na parede e como nem ele sabe como consegue escapar mais uma vez das garras cruéis impuras de seus perseguidores. Ele recomeça a correr, avista um carro a sua frente, até pensa na possibilidade de o pega-lo, mas se lembra que nem sequer sabe dirigir um quem o dera ligar sem a chave e fugir em alta velocidade. Nem pensar. Pensa ele correndo, olha para os lados procurando uma forma de se livrar dos monstros, mas nada o vem à cabeça, não consegue tramar um plano melhor que correr. Sua mente parece travada, as pernas já começam a sentir o cansaço, Rafael já não tem o preparo da época em que jogava no time de basquete da cidade, da época em que sua vida era normal.

Rafael segue sua corrida, vira uma esquina bruscamente quase escorregando, ele encontra uma decida a frente. Os monstros quase podem encostá-lo, Rafael acelera e começa a descer em alta velocidade.

Ao começar a descer o sol quente da tarde que antes estava coberto pelas casas e prédios se revela batendo no rosto de Rafael e dificultando a visão. Ele aperta os olhos colocando a mão a frente para tapar o sol quando ouve um grito dos monstros tão assustador e gélido que o faz encolher os ombros.

Rafael olha desesperadamente para os lados e vê uma casa com o portão aberto, rapidamente ele desvia de seu trajeto e adentra a casa trombando com o muro no lado de dentro do quintal, quase cai. Rafael sente alivio nos olhos e uma necessidade de descanso, quase o faz, mas ouve mais alguns gritos e recomeça a correr para dentro do quintal.

Rafael chega até o fundo onde encontra um matagal que chega quase a sua altura. Rafael não vê outra saída e adentra o matagal que fica mais denso a cada passo. Mais alguns passos e ele da de cara com um muro, olha para trás e vê os zumbis, rapidamente se agacha os perdendo de vista. Sente sua perna doer no mesmo instante e tentado não gritar, tenta andar abaixado seguindo o muro. O som dos zumbis revirando o mato deixa Rafael apavorado, fazendo com que trema ate a coluna enquanto continua seguindo o muro. Sem visão alguma do que acontece Rafael ou vê o som do mato sento revirado vem perto e se senta na esperança de não ser visto.

Rafael fecha os olhos, sente as mãos suarem frio, ele abre e fecha uma das mãos freneticamente enquanto enfia a outra na terra do chão a apertando em um punho com toda força. O coração a mil, sem coragem de abrir os olhos sente uma vontade extrema de se levantar e entregar os pontos, e como não fazia há muito tempo se lembra de Deus. Sente sua raiva pelo mesmo se esvaindo, a vontade de viver o faz começar a rezar, por alguns instantes não ouve nada. Só sua voz falando baixo em sua mente, pedindo que Deus o salve quando ouve o mato sendo revirado novamente. Parece se aproximar mais. Rafael cria coragem e abre os olhos e avista um portão enferrujado a alguns metros a frente, faz o sinal do pai nosso terminando assim a oração.

Rafael se levanta e avista um dos monstros. Rapidamente se agacha novamente, tomara que não tenha me visto, pensa ele.

Nem espera pra descobrir e sai em disparada na direção do portão. Rafael pula sobre o portão o acertando com o ombro e parte do braço. A tranca do portão se rompe e o mesmo se abre. Rafael cai no chão e como se não tivesse acontecido nada se levantou. Por um segundo pensou estar em segurança, limpou a terra da mão e de sua bermuda, mas nem sabia onde estava.

Olhou em volta ainda tremendo um pouco, estava em um lugar aparentemente grande, alguns cômodos com portas fechadas. A esquerda um corredor enorme seguia por vários metros, sem pensar duas vezes seguiu o corredor rapidamente.

Encontrou uma bifurcação adiante e virou à direita, se acalmou por um instante e começou a caminhar, seguiu até o fim do corredor onde constatou que o mesmo não tinha saída. Pensando estar tudo bem se sentou e novamente sentiu a perna incomodar novamente, sentiu um também certo alivio. Rafael olhava ao redor quando parou o olhar fixamente, no começo do corredor, bem na bifurcação.

Um deles se encontrava parado, ainda não havia visto Rafael. Os olhos dele quase o saltaram da face ao ver aquilo. Rafael sentiu o pânico tomando conta de seu ser, tudo recomeçara e dessa vez ele não tinha saída. Rafael conseguia ver a imagem do monstro o devorando, se via caminhando numa performance de bêbado e correndo ferozmente atrás de algum infeliz ainda vivo, Rafael se via morto.

Se levantou tentando não fazer barulho e olhou em volta, não havia como sair. O muro alto demais até para Rafael em seus 194 cm, nem um misero local para se esconder. Se virou para olhar a parede atrás dele enquanto passava as mãos pelo seu cabelo alto e desgrenhado quando ouviu um grito. Se virou rapidamente e lá estava ele. O monstro o observava com os olhos arregalados.

Rafael pousou o corpo sobra o muro ao lado num sinal de desistência e travou seus olhos na criatura.

Sua mandíbula inferior toda manchada de sangue mexia de um lado a outro fazendo um estralo alto e audível até para Rafael que estava a metros de distância.

Rafael pensou em suicídio, mas como? Numa ultima tentativa de encontrar uma fuga olhou em volta novamente, quem foi o filho da puta que fez um corredor tão grande sem saída, pensou Rafael amaldiçoando que fizera o corredor. Olhou para baixo e viu um pedaço de madeira, perfeito para ser usado como um bastão.

Rafael se viu diante de sua única saída. Olhou novamente o zumbi que permanecia imóvel, parecia estar hipnotizado. Rafael estranhou, mas não ligou se sentiu com sorte por ainda não ter sido atacado. Tremendo ouvia as batidas aceleradas de seu coração enquanto agachava lentamente em busca do bastão, não tirou os olhos de seu inimigo ainda imóvel. Tateou o chão até encontrar o pedaço de madeira e se levantou rapidamente.

Se levantou, segurou o bastão com as duas mãos e apertou com força.

Isso não é normal mesmo, pensou ele olhando o zumbi imóvel parecendo esperá-lo.

E no mesmo instante se moveu, o monstro correra em sua direção ferozmente. Rafael pensou em desistir ao vai, mas disse a si mesmo que não o faria. Rafael estremeceu, deu o primeiro passo, em seguida o segundo. No terceiro começara a correr. Um encontro.

Rafael se aproximava assim como seu inimigo, tudo parece mais lento e ao mesmo tempo rápido demais. Rafael calculou a distancia e pulou, e no ápice de seu salto o zumbi também pulara em busca de sua refeição. Rafael o golpeou verticalmente de cima para baixo, acertando o monstro no topo da cabeça.

E o corpo já sem vida há muito tempo pousara sobre o chão. Rafael caiu em cima do monstro e ouviu o ultimo gemida de sua boca.

Nada contente com apenas um golpe Rafael desferiu mais três golpes na cabeça. Até que a madeira rachasse.

Permaneceu em pé por dois segundos e caiu de joelhos. Largou sua arma e debruçou no chão ao lado da poça de sangue que se formara.

-Obrigado... Deus – disse ele em prantos.

Encostou-se ao muro e por um momento refletira o que dissera.

Rafael nunca pisou numa igreja desde que seu pai morreu quando tinha 11 anos. Culpara Deus por sua morte.

“Por que Deus salvou um ladrão assassino que dirigia um carro fugindo da Policia e não meu pai, um homem trabalhador e com família que voltava para casa depois de um dia de trabalho”.

Rafael realmente não achava que conseguiria. Se levantou, sentiu algo no peito que designou como sentimento bom.

Olhou para o céu e tomou um grande susto ao ouvir um barulho enorme, mais parecido com uma explosão. Rafael pulara de medo, olhou para os lados, viu que estava em segurança e começou a caminhar lentamente.

Sangue

Dia 23 de Janeiro de 2009, 17h06m – Estação de rádio.




Parecia só mais um dia “tranqüilo” para Joe, nenhum deles percebeu sua presença, nenhum corpo com vida povoa a paisagem das ruas, menos seguras do que nunca.

Joe está sentado na mesa em frente os monitores das câmeras de segurança, ele termina de limpar sua arma e a coloca em seu coldre, seu rosto revela certo espanto quando duas pessoas provavelmente vivas aprecem na imagem do monitor da entrada, um homem e uma mulher, eles vêem as câmeras, mas não dão muita importância já que sabem que a energia está em falta.


Joe os observa por alguns segundos até ter certeza de que estão realmente vivos, ele olha os outros monitores e não vê nenhum dos outros, o casal parece estar espantado, Joe vai até a entrada, a ultima pessoa viva que ele encontrou foi um segurança que explodiu sua cabeça com um tiro após ser mordido, ele retira o bloqueio que fez no portão de entrada e o abre, ao mesmo tempo o homem que esta do lado de fora aponta uma arma para Joe que já estava com a sua empunhada.

-Abaixa a arma – diz Joe.

-Calma ai cara – diz o homem levantando as mãos – foi você que colocou a mensagem no rádio?

A mulher se protege escondendo-se atrás de seu companheiro.

-Passa a arma pra cá - diz Joe se aproximando dos dois.

-Ta legal cara, vou coloca ela no chão e chuto ela pra...

-Não - interrompe a mulher segurando o braço dele.

-Me larga Jéssika, a gente não tem outra escolha – diz ele olhando para ela.

Ela consente e o solta, ele joga arma aos pés de Joe que a pega e a coloca na cintura de sua calça.

-Entra, vai – diz Joe saindo da frente do portão e apontando com arma para que eles entrem na estação.

Os dois dão passos lentos até a entrada enquanto Joe continua com a arma apontada para os dois.

-Rápido – diz Joe novamente.


O casal entra Joe faz um sinal com a mão para que eles se afastem, e olha para a rua procurando algum inimigo.


Não avista nada, somente carros acidentados e sangue por todo lado, ele entra também e tranca o portão, o casal continua imóvel, Joe abaixa a arma.

-Quem são vocês? – pergunta ele

-Meu nome é Lucas – responde o homem – e ela é Jéssika.

-Vocês foram mordidos? – pergunta Joe novamente.

-Não, não a gente ta bem – responde Lucas – pode confia.

-E por que vocês vieram até aqui?

-Nós ouvimos a mensagem no rádio, e viemos até aqui já que na mensagem diz que é seguro e tem alimentos – responde Jéssika – e você quem é?

-Eu sou Joe, e o que você tem dentro dessa mochila ai Lucas?

-Ah, só algumas coisas tipo roupas, e um pouco de comida, quer olhar?

Joe balança a cabeça negativamente e guarda a arma no coldre.

-Me ajuda a coloca isso aqui de volta – fala Joe apontando com a cabeça para algumas cadeiras e madeiras que ele usava para bloquear a porta.



Dia 24 de Janeiro de 2009, 8h16m – Estação de rádio.




O sol já esta forte e as ruas permanecem desertas os pássaros cantam deixando o lugar com uma melodia agradável até que um grito de dor ao longe faz com que Joe desperte de seu sono.

Ele se levanta, troca de roupa, pega sua arma e a coloca em seu coldre em seguida vai até os monitores para ver se tudo está bem, muitas das câmeras de segurança de dentro da estação não tem visão alguma, por causa das janelas que permanecem fechadas. Ele não vê nem Lucas e nem Jéssika nos monitores, ele pensa em ir até onde os dois passaram a noite, pois lá não há câmeras.

No caminho até seu destino Joe ouve algumas batidas que em seguida param, ele fica desconfiado e segue em frente, mais alguns passos e as batidas voltam a assombrar o local e dessa vez mais alto, Joe saca sua arma e começa a dar passos lentos.

E quando ele se aproxima do local onde o casal passara a noite, as batidas voltam e dessa vez Joe sabe de onde estão vindo, “da sala dos instrumentos” pensa ele, mas a sala dos instrumentos fica na outra ponta do corredor perto do refeitório, ele chega até o local e chama pelos outros dois, e após alguns segundos nenhuma resposta é dada, Joe abre a porta e aponta a arma para o interior do local.


Ninguém, o lugar está todo desarrumado, as coisas do casal estão espalhadas pelo chão, Joe não pensa duas vezes e vai até sala dos instrumentos. Enquanto ele caminha em direção a sala as batidas se repetem por mais duas vezes e vão ficando mais altas, fazendo com que Joe tenha certeza de que elas estão vindo de onde ele pensou, ele chega, e as batidas estão sendo dadas na porta da sala.


Ele chama pelos dois novamente e como da primeira vez nenhuma resposta é dada, as batidas param, Joe coloca a mão sobre a maçaneta e abri a porta de repente, e no mesmo instante algo pula sobre ele, fazendo com que ele caia no chão e deixe sua arma cair também. É um dos mortos-vivos, ele tenta morder o pescoço de Joe que o segura e quando vê seu rosto quase não acredita, é Jéssika quem tenta morde-lo, Joe a segura com uma mão e com a outra ele desferi um soco em seu rosto, dando espaço suficiente para que Joe de um chute contra seu peito fazendo com que ela caia dentro da sala depois de tropeçar em algo no chão.


Alguns instantes depois a mulher já está novamente de pé, seu cabelo caído sobre sua face não impedi a visão de seus olhos completamente negros que parecem estar com mais raiva do que antes, seu nariz quebrado jorra sangue como água.

Ela olha fixamente para seu alvo, mas não há tempo para atacá-lo novamente, Joe já esta de pé e com sua arma em mãos, ele da um único disparo. O barulho do tiro é muito alto, correspondente à potência, a bala acerta o olho direito da mulher, atravessando sua cabeça e parando na parede há uns três metros atrás, seu corpo já sem vida antes e agora com muito menos cai sobre o chão. Alguns segundos se passam e já há sangue por todo o chão inclusive no corredor e na mão de Joe que a limpa em sua camisa e entra na sala há procura de outro possível inimigo, mas não há mais ninguém no local, assim como no prédio inteiro, Joe passara horas vasculhando o lugar a procura do companheiro da mulher, mas ele simplesmente sumiu, ele não fará companhia para Joe e nem o incomodara.